A ausência do Presidente dos Camarões, Paul Biya, do país há 45 dias consecutivos está a intensificar a incerteza política e o debate sobre a sucessão na liderança de uma das maiores economias da África Central.
Aos 93 anos, Biya deixou o país a 7 de junho para o que a Presidência classificou como uma “breve estadia privada na Europa”, sem que tenha sido anunciada uma data para o seu regresso, tornando esta a sua mais longa permanência conhecida no estrangeiro desde que assumiu o poder, em 1982.
A crescente preocupação levou o Movimento Democrático Popular dos Camarões (CPDM), partido no poder, a convocar uma rara reunião da sua direção de topo. Embora o partido não tenha revelado a agenda do encontro nem estabelecido qualquer ligação oficial com a ausência do chefe de Estado, a reunião ocorre num contexto de críticas cada vez mais fortes da oposição, que exige esclarecimentos sobre a capacidade do Presidente para continuar a exercer as suas funções.
Os principais partidos da oposição defendem que o Governo deve informar o país sobre a situação de Paul Biya. Enquanto a União Democrática dos Camarões pediu garantias quanto à continuidade do Estado, o deputado Jean Michel Nintcheu sustentou que o Tribunal Constitucional deveria declarar vaga a Presidência. O Executivo, por sua vez, rejeita as especulações sobre o estado de saúde do Presidente e afirma que Biya continua plenamente apto para governar a partir do estrangeiro.
A prolongada ausência do líder camaronês reacendeu as dúvidas sobre a sucessão presidencial, numa altura em que o país aprovou legislação para reintroduzir o cargo de vice-presidente, que continua por preencher. Para os analistas e investidores, a evolução da situação está a ser acompanhada de perto, uma vez que os Camarões desempenham um papel estratégico na economia da África Central, sendo um importante produtor de cacau, petróleo, gás natural e madeira, setores que poderão ser afetados por um eventual prolongamento da incerteza política.





