Economia

  • João Lourenço e Tshisekedi reforçam parceria no Corredor do Lobito com novo contrato na RDC

    O Presidente da República testemunhou nesta quarta-feira, dia 26, em Kinshasa, a assinatura de um novo contrato relacionado com o desenvolvimento do Corredor do Lobito, numa cerimónia que reforça a cooperação entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC) em torno de uma das principais infra-estruturas estratégicas da África Austral.

    A deslocação de João Lourenço à capital congolesa ocorre a convite do Presidente Félix Tshisekedi e inclui igualmente um encontro bilateral entre os dois Chefes de Estado. O novo acordo surge num momento em que Kinshasa procura acelerar a integração da sua rede de transportes e logística com o Corredor do Lobito.

    A construtora portuguesa Mota-Engil desempenha um papel central na exploração do corredor através da Lobito Atlantic Railway (LAR), consórcio formado pela empresa portuguesa, pela Trafigura e pela operadora ferroviária belga Vecturis.

    A LAR detém uma concessão inicial de 30 anos para a exploração dos serviços ferroviários e de apoio logístico do Corredor do Lobito em Angola. A concessão cobre cerca de 1.300 quilómetros de ferrovia, ligando o Porto do Lobito, no Atlântico, à fronteira com a RDC, no Luau. A Mota-Engil indica uma participação de 50% no projecto.

    O corredor tem como principal objectivo facilitar o transporte de minérios provenientes das regiões mineiras da RDC para o Porto do Lobito, permitindo o acesso aos mercados internacionais. A rota é particularmente relevante para o cobre e o cobalto, considerados minerais estratégicos para a transição energética.

    Financiamento de 753 milhões de dólares

    O projecto ganhou uma nova dimensão financeira em Dezembro de 2025, quando a LAR anunciou um acordo de financiamento de 753 milhões de dólares. Segundo a Mota-Engil, o investimento deverá permitir multiplicar por dez a capacidade de transporte do corredor, atingindo cerca de 4,6 milhões de toneladas, ao mesmo tempo que poderá reduzir em aproximadamente 30% os custos de transporte de minerais críticos.

    A concretização dos investimentos pretende transformar o Corredor do Lobito de uma simples ligação ferroviária numa plataforma logística regional, capaz de estimular o comércio, a actividade mineira e novos investimentos ao longo da rota.

    RDC procura transformar corredor em eixo económico

    Para Kinshasa, o projecto ultrapassa a questão do transporte de minerais. O Governo congolês defende uma visão de corredor económico integrado, com investimentos em infra-estruturas, facilitação do comércio, desenvolvimento industrial e criação de emprego.

    Em Abril deste ano, a Primeira-Ministra da RDC, Judith Suminwa Tuluka, defendeu precisamente a transformação do Corredor do Lobito num ecossistema económico capaz de gerar valor acrescentado e beneficiar as populações dos países envolvidos.

    A assinatura testemunhada por João Lourenço e Tshisekedi representa, assim, mais um passo na consolidação da ligação entre Angola e a RDC e na tentativa de transformar o corredor numa das principais rotas de exportação de minerais críticos do continente.

    Ligação estratégica para Angola

    Para Angola, o projecto reforça a importância do Porto do Lobito como porta de saída para os recursos minerais do centro de África e como plataforma logística para o comércio regional.

    A ligação poderá ainda ser ampliada para a Zâmbia, criando uma rede ferroviária que aprofunde a integração económica da África Austral. A própria Mota-Engil apresenta o Corredor do Lobito como uma concessão estratégica para ligar as minas da RDC ao porto angolano e aos mercados internacionais, com potencial de expansão à Zâmbia.

    O encontro entre João Lourenço e Félix Tshisekedi ocorre, por isso, num contexto em que os dois países procuram transformar o Corredor do Lobito numa infra-estrutura de integração regional, capaz de combinar transporte, mineração, comércio e investimento privado.

Sociedade

  • Obras da Colecção ENSA-Arte passam a integrar acervo do Palácio de Convenções de Luanda

    Obras da Colecção ENSA-Arte passaram a integrar o acervo artístico do recém-inaugurado Palácio de Convenções de Luanda, onde estão expostas em diferentes compartimentos da infraestrutura destinada a acolher grandes eventos nacionais e internacionais.

    A iniciativa pretende contribuir para a valorização estética do novo espaço e, ao mesmo tempo, aproximar do público algumas das obras que integram a colecção da ENSA Seguros de Angola.

    Segundo a instituição, a presença das peças num dos espaços públicos de referência da capital constitui também uma forma de reconhecimento do trabalho dos artistas angolanos e da importância da produção artística nacional enquanto expressão da identidade, criatividade e diversidade cultural do país.

    A integração das obras acontece num ano particularmente simbólico para a iniciativa cultural da seguradora. Em 2026, o Prémio ENSA-Arte completa 35 anos de existência. Criado em 1991, o prémio tem contribuído para a promoção das artes visuais em Angola, apoiando novos talentos, dando visibilidade a artistas consagrados e contribuindo para a consolidação do acervo artístico da instituição.

    Ao longo de três décadas e meia, a ENSA tem procurado reforçar a sua ligação ao sector cultural, encarando a arte como instrumento de reflexão, inclusão, inovação e valorização da identidade nacional. Para a seguradora, a presença da Colecção ENSA-Arte no Palácio de Convenções de Luanda representa igualmente uma homenagem aos artistas angolanos e ao papel da cultura no desenvolvimento do país.

    Fundada em 18 de Fevereiro de 1978, a ENSA iniciou a actividade com a designação de Empresa Nacional de Seguros e Resseguros de Angola. Actualmente constituída como sociedade anónima, a empresa afirma ter acompanhado o desenvolvimento económico e social do país, através da modernização dos serviços e da expansão da sua rede de distribuição.

Opinião