Economia

  • Sonangol supera meta e certifica 5.290 pessoas no Projecto KUMA em Cabinda

    A Sonangol encerrou a primeira fase do Projecto KUMA, em Cabinda, com 5.290 pessoas formadas e certificadas, superando em 290 a meta inicial de 5.000 beneficiários prevista para o primeiro ano de implementação.

    O programa, lançado em Agosto de 2025, completou seis temporadas de formação profissional e teve como última etapa a certificação de 626 formandos, numa cerimónia realizada a 15 de Setembro, em Cabinda.

    Dos 5.290 beneficiários certificados, 2.233 são mulheres, correspondentes a 42,2% do total, segundo o balanço da primeira fase. A participação feminina é um dos indicadores destacados pelos promotores do projecto, que desde o início definiu como prioridade a inclusão de jovens, mulheres chefes de família e pessoas pertencentes a grupos vulneráveis.

    O KUMA foi concebido como um programa de desenvolvimento profissional destinado à população de Cabinda, com o objectivo de melhorar a empregabilidade, criar oportunidades de geração de rendimento e desenvolver competências ajustadas às necessidades económicas da província.

    A iniciativa resulta de uma parceria envolvendo o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás e a Sonangol, como patrocinadores, além do Governo Provincial de Cabinda, Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) e Imbono. O programa está igualmente associado às necessidades de formação decorrentes da cadeia de valor da Refinaria de Cabinda.

    Formação em áreas com procura no mercado

    Quando o projecto foi lançado, a previsão era capacitar pelo menos 5.000 pessoas num período de 12 meses, através de cursos profissionais certificados e ajustados às exigências do mercado de trabalho.

    Entre as áreas contempladas encontram-se mecânica, electricidade, soldadura, canalização, informática e turismo, além de outras especialidades profissionais. A Sonangol indicou anteriormente que o programa abrangia 14 áreas de formação.

    A estratégia previa igualmente centros de formação fixos e móveis, com apoio aos participantes em matéria de transporte, alimentação, material didáctico e outros meios necessários à frequência dos cursos. Os documentos oficiais do projecto estabeleceram também como prioridade a avaliação do seu impacto social e económico através de indicadores periódicos.

    Os dados disponíveis mostram uma progressão constante ao longo das diferentes temporadas. Depois de 853 certificados na primeira fase de formação, o número acumulado passou para 1.782 após a segunda temporada. No final da quarta temporada, já tinham sido certificados 3.705 participantes.

    Na segunda temporada, por exemplo, foram certificados 929 formandos, com uma taxa de conclusão de 97,38% e uma participação feminina de 46,8%, segundo dados divulgados pela Sonangol.

    Projecto nasceu ligado à Refinaria de Cabinda

    O KUMA foi lançado no contexto da implantação da Refinaria de Cabinda e procura criar mão-de-obra qualificada não apenas para actividades relacionadas com aquele empreendimento, mas também para responder às necessidades de outros sectores económicos da província e do país.

    A própria Sonangol esclareceu, no início do programa, que embora alguns dos formandos possam vir a responder às necessidades de recursos humanos da refinaria, o propósito mais amplo é preparar profissionais capazes de integrar diferentes áreas do mercado de trabalho.

    A denominação KUMA, proveniente do Ibinda, significa “crescer” ou “desenvolver-se”, expressão escolhida para representar a aposta do programa na qualificação pessoal e profissional dos cidadãos de Cabinda.

    O projecto recebeu, em Agosto deste ano, o prémio de Melhor Projecto Social da Expo Cabinda 2026, numa altura em que já havia ultrapassado a marca de cinco mil beneficiários, distinção atribuída pelo seu contributo para a formação, inclusão social e criação de oportunidades.

    Com a conclusão da primeira fase e a meta inicial ultrapassada, os promotores apontam agora para a continuidade da iniciativa. No balanço divulgado após a sexta cerimónia de certificação, o Projecto KUMA classificou o resultado de 5.290 formandos como o encerramento de uma etapa e o início de um “novo capítulo” da iniciativa.

Sociedade

  • Angola regista queda de gravidez na adoslescência de 43,5% para 27,1% na última década

    A prevalência da gravidez na adolescência em Angola diminuiu de 34,5% para 27,1% ao longo de uma década, mas os níveis permanecem elevados, sobretudo nas zonas rurais e entre adolescentes sem escolaridade, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

    Os números constam do Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola, apresentado terça-feira, em Luanda, com base nos resultados dos Inquéritos de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) de 2015-2016 e 2023-2024.

    De acordo com o estudo, a prevalência da gravidez entre raparigas dos 15 aos 19 anos registou uma redução de 21,5% no período analisado, passando de 34,5% para 27,1%.
    Apesar da evolução, Angola continua acima da média estimada para a África Subsaariana, situada em 18%. O país apresenta, contudo, uma prevalência inferior à registada em Moçambique, estimada em 36%, e na Zâmbia, com 28%.

    Em sentido contrário, os valores angolanos permanecem acima dos observados na Tanzânia (23,4%), Camarões (23%) e Gabão (22,9%).
    Diferenças entre províncias

    A evolução registada no país esconde diferenças significativas entre as províncias. Malanje apresentou uma redução de 24,4 pontos percentuais, seguida da Lunda Sul, com menos 23,2 pontos, da Huíla, com menos 19,7 pontos, e do Cunene, com uma diminuição de 14,6 pontos percentuais.
    Luanda manteve a prevalência mais baixa entre as províncias analisadas, passando de 21,2% no IIMS 2015-2016 para 13,9% no inquérito de 2023-2024.

    Segundo o INE, este resultado poderá estar relacionado com um maior acesso aos serviços de saúde e à educação.

    Apesar dos progressos registados noutros pontos do território, algumas províncias continuam a apresentar níveis elevados. No Cuanza Sul, a prevalência atingiu 51,4%, enquanto no Cuando-Cubango chegou a 44% e no Cuanza Norte a 41,3%.

    O Bengo foi a única província destacada pelo estudo por ter registado um aumento, de 2,7 pontos percentuais, no período considerado.
    Fecundidade também recua

    A taxa de fecundidade entre adolescentes também apresentou uma redução significativa. O indicador passou de 163 nascimentos por cada mil adolescentes no IIMS 2015-2016 para 122 por mil no IIMS 2023-2024, representando uma diminuição de 25,2%.

    A redução foi mais acentuada nas áreas urbanas, onde atingiu 33,3%, enquanto nas zonas rurais ficou pelos 18,4%.

    Apesar da diminuição, as áreas rurais continuam a apresentar níveis elevados, com uma taxa de fecundidade de 195 nascimentos por mil adolescentes em 2023-2024.

    Nos dois inquéritos foram abrangidas 3.444 e 3.874 adolescentes, respectivamente, sendo que cerca de sete em cada dez viviam em áreas urbanas.

    Escolaridade e acesso à informação

    O relatório associa os progressos registados na última década, entre outros factores, ao aumento da escolarização feminina, ao adiamento do casamento e ao maior acesso à informação sobre saúde sexual e reprodutiva.

    Ainda assim, o INE salienta que a prevalência continua mais elevada nas zonas rurais e entre adolescentes sem qualquer nível de escolaridade.

    O estudo recomenda, por isso, a adopção de estratégias diferenciadas, tendo em conta as especificidades de cada região, com o objectivo de acelerar a redução da gravidez na adolescência e diminuir as desigualdades existentes.

    Entre as medidas apontadas estão o reforço da permanência das raparigas na escola, a prevenção do casamento precoce, a expansão dos serviços de saúde sexual e reprodutiva adaptados aos adolescentes e o combate a normas sociais consideradas prejudiciais.

    O relatório foi elaborado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

Opinião