Economia

  • BADEA financia Grupo Omatapalo em 35 milhões de euros para projetos de infraestrutura em Angola

    O Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e o Grupo Omatapalo assinaram um contrato de financiamento no valor de 35 milhões de euros, destinado a apoiar a execução de projetos estratégicos de infraestrutura em Angola. O acordo foi formalizado a 12 de agosto, em Riade, na Arábia Saudita.

    O contrato foi assinado pelo presidente do BADEA, Abdullah KH Almusaibeeh, e pelo diretor executivo para Operações Internacionais do Grupo Omatapalo, Francisco Franca, numa cerimónia que contou com a presença de uma delegação da Embaixada de Angola em Riade.

    Segundo o comunicado, os recursos serão aplicados na aquisição de equipamentos de construção, maquinaria, veículos, peças de reposição e outros consumíveis essenciais. O objetivo é reforçar a capacidade operacional da Omatapalo na execução de projetos associados às prioridades de desenvolvimento nacional.

    Operação inédita com o setor privado angolano

    O financiamento assume particular relevância por constituir a primeira transação de financiamento comercial do BADEA com uma empresa do setor privado em Angola. A operação insere-se na estratégia da instituição de apoiar o investimento produtivo e estimular o crescimento das empresas privadas no continente africano.

    Para o presidente do BADEA, Abdullah Almusaibeeh, o acordo representa uma operação histórica e poderá servir de referência para futuras parcerias com empresas africanas. O responsável destacou ainda o compromisso da instituição com soluções de financiamento capazes de acelerar o desenvolvimento das infraestruturas em África.

    Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Omatapalo, Pedro Vieira Santos, considera que a parceria demonstra a maturidade da estrutura financeira do grupo e a sua capacidade para estabelecer relações estratégicas com parceiros internacionais.

    “A parceria com o BADEA confirma a maturidade da estrutura financeira do Grupo Omatapalo”, afirmou Pedro Vieira Santos, acrescentando que a operação reforça o posicionamento da empresa enquanto operador angolano preparado para sustentar o crescimento a longo prazo e contribuir para o desenvolvimento económico de Angola e do continente.

    Reforço do investimento em infraestruturas

    Com atividades nos setores dos transportes, imobiliário, energia, água, indústria e obras públicas, o Grupo Omatapalo é apresentado no comunicado como um dos principais grupos angolanos de engenharia, construção e infraestrutura.

    Já o BADEA é uma instituição multilateral de financiamento para o desenvolvimento, detida por 18 Estados membros da Liga dos Estados Árabes. Em atividade desde 1975, tem como missão promover o desenvolvimento económico e social na África Subsaariana e fortalecer a cooperação entre as regiões árabe e africana.

    A nova operação deverá permitir à Omatapalo ampliar os meios disponíveis para a execução de projetos de infraestrutura em Angola, ao mesmo tempo que abre caminho para uma maior participação do BADEA no financiamento do setor privado angolano.

Sociedade

  • João Lourenço anuncia contribuição financeira para campanha da OAFLAD

    Chefe de Estado defendeu maior participação das mulheres nos processos de paz, no desenvolvimento sustentável e no combate aos efeitos das alterações climáticas.

    O Presidente da República, João Lourenço, anunciou que Angola vai conceder uma contribuição financeira para apoiar a campanha da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD), destinada a reforçar a resiliência das mulheres e raparigas perante as alterações climáticas e os conflitos.

    O anúncio foi feito na cerimónia de abertura da Gala da OAFLAD e de lançamento da campanha “Construindo Resiliência”.

    Sem revelar o montante, João Lourenço informou que o valor já foi comunicado à presidência da organização e será aplicado na execução das iniciativas e actividades previstas no âmbito da campanha. Angola associa-se, assim, aos esforços colectivos de mobilização de recursos para promover a protecção, o empoderamento e a capacidade de resposta das mulheres e raparigas africanas.

    No seu discurso, o Chefe de Estado destacou o trabalho desenvolvido pela OAFLAD na promoção da igualdade do género, no empoderamento das mulheres e jovens e na melhoria das condições de vida das comunidades mais vulneráveis.

    Segundo João Lourenço, a organização tem contribuído, nas últimas duas décadas, para a construção de uma África mais justa, inclusiva, sustentável e resiliente, criando condições para uma participação mais activa das mulheres no desenvolvimento das comunidades.

    O Presidente angolano defendeu igualmente uma maior inclusão das mulheres nos processos de prevenção e resolução de conflitos. Considerou que a construção de uma paz sustentável e de uma segurança efectiva em África depende da sua participação plena e significativa em todas as fases dos processos de paz.

    João Lourenço relacionou ainda o empoderamento feminino com a segurança alimentar, lembrando que as mulheres africanas desempenham um papel central na agricultura familiar, na produção de alimentos e na sustentabilidade das comunidades.

    Neste sentido, apelou à criação de melhores condições para as mulheres do meio rural e agricultoras, nomeadamente através do acesso aos recursos produtivos, formação, inovação tecnológica, financiamento e políticas eficazes de adaptação climática.

    “Investir na mulher é reconhecer o seu papel como agente de transformação e de resiliência das comunidades”, afirmou.

    O Presidente da República sustentou que apenas num ambiente de paz, estabilidade e cooperação será possível garantir que mulheres e homens enfrentem, em igualdade de condições, desafios como as alterações climáticas.

    Acrescentou que a OAFLAD deve ser considerada parceira dos governos africanos na luta contra a pobreza, o analfabetismo, o abandono escolar e a gravidez precoce.

    João Lourenço convidou também as mulheres africanas a participarem de forma expressiva no 4.º Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência — Bienal de Luanda — previsto para Outubro.

Opinião