O Presidente João Lourenço, anunciou, em Roma, que Angola está a executar um programa de combate aos efeitos da seca nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe, avaliado em 4,2 mil milhões de dólares. O projecto, já parcialmente executado, prevê a construção de albufeiras e centenas de quilómetros de canais para garantir o abastecimento de água às populações e impulsionar a produção agrícola e pecuária.
Ao discursar, segunda-feira, 12 de Outubro, no Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), João Lourenço apresentou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA) como uma das principais iniciativas do Executivo para reduzir a vulnerabilidade das populações às alterações climáticas.
Segundo o Chefe de Estado, o programa contempla a construção de infra-estruturas destinadas a armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene, permitindo desenvolver actividades agrícolas e pecuárias ao longo de todo o ano, independentemente das condições climáticas.
O Presidente não apresentou, durante a intervenção, dados sobre os montantes já desembolsados, a percentagem de execução física e financeira do programa ou o calendário previsto para a conclusão das obras.
Presidente defende investimento estrangeiro na agricultura
Na intervenção, João Lourenço apelou aos investidores internacionais para que apostem no potencial agrícola africano, defendendo que o continente dispõe de recursos naturais suficientes para aumentar significativamente a produção de alimentos.
«África tem o potencial para ser o celeiro do mundo», afirmou, destacando a existência de vastas extensões de terras aráveis, rios, lagos e condições climáticas favoráveis.
O Presidente considerou, contudo, que a disponibilidade de recursos naturais não é suficiente para resolver os problemas alimentares do continente.
Defendeu, por isso, a mobilização de investimentos, a transferência de tecnologias e a formação de jovens, com o objectivo de aumentar a produtividade agrícola, melhorar a qualidade dos produtos e expandir as exportações.
João Lourenço apontou também a agricultura familiar como um dos pilares fundamentais para garantir a segurança alimentar em África.
Corredor do Lobito poderá impulsionar exportações agrícolas
O Chefe de Estado destacou igualmente o papel do Corredor do Lobito no desenvolvimento da agricultura e na integração económica regional.
Segundo João Lourenço, a infra-estrutura não deve ser encarada apenas como uma plataforma de transporte de mercadorias, mas também como um instrumento para atrair investimentos, promover a industrialização e criar cadeias de valor.
O Presidente defendeu que o corredor poderá facilitar a circulação de produtos agrícolas entre diferentes países e ampliar o acesso aos mercados regionais e internacionais.
Neste contexto, salientou as oportunidades associadas à Zona de Livre Comércio Continental Africana, cujo mercado foi estimado em aproximadamente 1,5 mil milhões de consumidores.
Referiu ainda as iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, que considerou importantes para atrair investimentos e melhorar a competitividade do sector agrícola angolano.
João Lourenço alerta para impacto das guerras e alterações climáticas
Durante o encontro, realizado sob o lema «Inovar Hoje para Alimentar Amanhã», o Presidente angolano manifestou preocupação com a persistência da fome e da desnutrição em várias regiões do mundo, apesar da capacidade tecnológica e produtiva existente nos países desenvolvidos.
João Lourenço afirmou que os conflitos armados, as dificuldades de financiamento e as alterações climáticas continuam a comprometer a produção agrícola, sobretudo nos países menos desenvolvidos.
Alertou para os efeitos das secas, inundações, tempestades e desertificação, defendendo uma maior cooperação internacional para enfrentar estes desafios.
O Chefe de Estado considerou necessário aperfeiçoar os mecanismos de cooperação entre os países e reforçar a participação de governos, instituições científicas, empresas e organizações internacionais na procura de soluções para a insegurança alimentar.
Angola apresenta candidata à liderança da FAO
Na parte final do discurso, João Lourenço anunciou a candidatura da diplomata angolana Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da FAO, numa decisão que afirmou ter sido concertada com a União Africana.
Josefa Sacko exerceu as funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café e foi comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável entre 2017 e 2024.
O Presidente pediu apoio internacional à candidatura, manifestando confiança na capacidade da diplomata para contribuir para a segurança alimentar em África e no mundo.
O Fórum Mundial da Alimentação decorre em Roma e reúne representantes governamentais, instituições internacionais e outros intervenientes para discutir soluções destinadas a melhorar os sistemas alimentares e combater a fome.




