O empresário angolano Manuel Vicente, voltou a surgir nos bastidores da sucessão política em Angola, num contexto em que o actual presidente do MPLA e da República, João Lourenço, começa a desenhar os cenários para a sua própria sucessão. Segundo uma análise publicada pelo jornal angolano Valor Económico, fontes ligadas às dinâmicas internas do partido apontam o antigo vice-presidente da República como um dos nomes considerados para integrar uma solução de continuidade política sob influência do Presidente João Lourenço.
De acordo com o Valor Económico, encontros discretos têm ocorrido fora das estruturas formais do MPLA para discutir possíveis caminhos da sucessão presidencial, incluindo perfis com “capacidade financeira, experiência executiva e previsibilidade política”. Nesse quadro, Manuel Vicente aparece como uma figura até agora ausente do debate público, mas com peso político e económico relevante.
A publicação refere que João Lourenço não poderá candidatar-se a um novo mandato presidencial em 2027, embora possa disputar novamente a liderança do MPLA. O congresso do partido, previsto para dezembro deste ano, é apontado como decisivo para definir a arquitetura política do pós-2027.
Fontes citadas pelo Valor Económico afirmam que a eventual escolha de Manuel Vicente seria sustentada por três fatores principais: o jurídico, o político e o económico. No plano jurídico, o antigo presidente da Sonangol nunca foi formalmente constituído arguido em Angola, apesar de ter sido associado a investigações relacionadas com alegados casos de corrupção em Portugal e em outros países.
No plano político, a análise sugere que João Lourenço poderá procurar manter influência sobre o processo sucessório através da liderança partidária, mesmo sem permanecer na Presidência da República. Já no plano económico, Manuel Vicente é descrito como alguém que conserva redes de influência relevantes construídas durante a sua passagem pela Sonangol e pelos circuitos internacionais de negócios.
O Valor Económico destaca, contudo, que um eventual regresso de Manuel Vicente ao centro da disputa política seria altamente controverso. O jornal recorda os processos e investigações que envolveram o antigo dirigente, incluindo o chamado “Caso Só Vicente”, em Portugal, e referências feitas pelo Departamento de Estado norte-americano em relatórios sobre corrupção.
A análise do jornal angolano também aborda outros nomes ligados à sucessão no MPLA, entre eles Higino Carneiro, Ana Dias Lourenço, Adão de Almeida, Mara Quiosa e Pereira Alfredo. Entre os descontentes internos do partido, Higino Carneiro surge, segundo o Valor Económico, como uma figura capaz de mobilizar setores críticos da governação de João Lourenço.




