Situação “desastrosa” em Angola implica medidas difíceis

Situação "desastrosa" em Angola implica medidas difíceis
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Situação “desastrosa” em Angola implica medidas difíceis

Situação financeira “desastrosa” do país vai obrigar à reestruturação da dívida, a mais consolidação orçamental e a depreciação adicional da moeda, alertou o Banco Fomento de Angola.

O gabinete de estudos económicos do Banco Fomento Angola (BFA) alertou esta terça-feira que a situação financeira do país é “tão desastrosa” que vai obrigar à reestruturação da dívida, a mais consolidação orçamental e a depreciação adicional da moeda.

“Os problemas de Angola em 2020 são tão desastrosos que nenhuma das soluções [financeiras] será suficiente individualmente; uma consolidação adicional da despesa é necessária, mas a retirada de 1,5 mil milhões de dólares [1,3 mil milhões de euros] do Fundo Soberano é fundamental para a liquidez este ano”, lê-se numa análise à economia angolana.

No documento, que aponta as graves fragilidades das finanças públicas no seguimento da descida dos preços do petróleo e do impacto da pandemia da Covid-19, os analistas do BFA vincam que “a queda nas importações resultante da enorme descida na atividade económica vai ajudar a equilibrar as contas, mas uma depreciação adicional da moeda será necessária”.

O documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, detalha que “o impacto na balança de pagamentos, se nenhuma medida tivesse sido tomada, podia ser superior a 8 mil milhões de dólares, em queda de receitas petrolíferas, dívida não emitida e queda das importações”.

Isto traduz-se, apontam, “numa verdadeira crise da balança de pagamentos”, alertando ainda que “as reservas internacionais podem possivelmente ser anuladas num período relativamente curto, ou então um default [Incumprimento Financeiro]”.

Na análise, o gabinete de estudos económicos do BFA detalha que “uma parte significativa do problema continua por resolver”, mas ressalva que “o país não vai necessariamente ter de alcançar um equilíbrio nas contas externas este ano”.

Ainda assim, salienta, “é preciso suavizar o choque o mais possível”, pelo que “parte da solução pode vir da renegociação da dívida externa, o que está certamente em curso, pelo menos relativamente aos credores a quem são devidos pagamentos este ano”.

Além da renegociação da dívida, que o Presidente de Angola, João Lourenço, confirmou na semana passada estar em curso, o BFA diz que “há uma grande probabilidade de obtenção de fundos adicionais por parte de instituições multilaterais com o Banco Africano de Desenvolvimento, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, para um total de entre 1 e 1,5 mil milhões de dólares”.

 

 

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