O Presidente João Lourenço, defendeu, este sábado, em El Alamein, no Egipto, o reforço do financiamento africano à Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), considerando que o continente deve assumir maior responsabilidade não apenas pela definição das suas prioridades de desenvolvimento, mas também pelo financiamento das instituições encarregues de concretizá-las.
Ao discursar na abertura da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, realizada por ocasião dos 25 anos da criação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África, João Lourenço afirmou que a organização deve entrar numa nova etapa, marcada por maior capacidade institucional, apropriação africana e resultados concretos.
Na qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, cargo que Angola assumiu em Fevereiro deste ano, João Lourenço destacou que a agência ampliou, nos últimos anos, a sua intervenção em áreas como infra-estruturas, sistemas alimentares, saúde, capital humano, industrialização e integração regional.
O Chefe de Estado angolano considerou, porém, que o reforço do mandato da instituição deve ser acompanhado de recursos financeiros e de maior flexibilidade institucional. Recordou que Angola concedeu, no ano passado, uma contribuição voluntária à AUDA-NEPAD e apelou aos restantes Estados signatários da NEPAD para seguirem o mesmo caminho.
Segundo João Lourenço, um financiamento africano previsível é essencial para que a agência possa planear as suas actividades, responder às prioridades dos Estados-membros e conduzir os projectos da fase de preparação até à implementação.
O Presidente apontou ainda o Corredor do Lobito como exemplo de infra-estrutura estratégica capaz de contribuir para a ligação entre mercados africanos, fortalecimento dos sectores produtivos, desenvolvimento das cadeias regionais de valor e criação de oportunidades de negócio além-fronteiras. Informou igualmente que Angola trabalha com a AUDA-NEPAD para estabelecer uma presença da agência no país.
No encerramento da cimeira, João Lourenço reforçou a necessidade de passar das declarações à execução. Segundo o Presidente, as deliberações apontaram para uma AUDA-NEPAD baseada numa “apropriação africana mais firme”, maior eficácia institucional e numa cultura de execução orientada para resultados.
O estadista defendeu que os projectos continentais devem ser ajustados às realidades dos Estados-membros, de modo que as decisões tomadas ao nível africano produzam efeitos concretos junto das populações.
Para João Lourenço, será no terreno que deverá ser medida a eficácia da acção da organização, através dos investimentos realizados, das infra-estruturas construídas e dos benefícios sentidos pelos cidadãos.
O Presidente advertiu ainda que nenhuma declaração, independentemente da sua ambição, poderá substituir a implementação efectiva das decisões, defendendo responsabilidades claras, acompanhamento regular e resultados verificáveis.
“As deliberações desta Cimeira serão, por isso, avaliadas pela sua capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis”, afirmou.
João Lourenço manifestou, por fim, a expectativa de que a reunião de El Alamein represente o início de um novo ciclo de envolvimento dos países fundadores e dos restantes Estados-membros, orientado para a construção de uma África “mais integrada, mais próspera e mais soberana”.
A cimeira, realizada a 3 de Outubro, assinalou os 25 anos da criação da NEPAD e reuniu líderes dos países fundadores da iniciativa, representantes da União Africana e responsáveis da AUDA-NEPAD.




