O Presidente da República de Angola, João Lourenço, defendeu hoje, durante a 9ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), a necessidade de reforço do compromisso político e da cooperação regional para enfrentar os persistentes desafios de segurança e desenvolvimento no espaço dos Grandes Lagos. A intervenção marcou igualmente o fim da presidência rotativa angolana, transferida para a República Democrática do Congo (RDC).
Na sessão realizada em Kinshasa, João Lourenço agradeceu a confiança depositada pelos Estados-membros ao longo dos cinco anos em que Angola liderou a organização e felicitou o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, pela assumpção da presidência. O chefe de Estado destacou que o mandato angolano coincidiu com um período de elevada instabilidade regional, marcado pela proliferação de grupos armados e tensões persistentes na República Centro-Africana (RCA), no leste da RDC e no Sudão.
Segundo João Lourenço, Angola priorizou a busca de soluções pacíficas para os conflitos, alcançando avanços significativos, incluindo a elaboração do Roteiro Conjunto para a Paz na RCA, o levantamento do embargo de armas a este país e progressos substanciais no Processo de Luanda, voltado à pacificação da região leste da RDC e à normalização das relações entre Kinshasa e Kigali. Também sublinhou a realização de reuniões ministeriais, propostas de acordo de paz e a operacionalização de mecanismos de verificação em Goma, entre outros marcos.
O Presidente angolano reafirmou a validade do princípio “soluções africanas para problemas africanos”, advertindo, contudo, que a eficácia dessas soluções depende de vontade política e de recursos adequados. Defendeu ainda a necessidade de revisão do Pacto da CIRGL, propondo transformar a organização num mecanismo essencialmente dedicado à prevenção e resolução de conflitos, em maior articulação com a União Africana.
João Lourenço alertou igualmente para a grave crise financeira no Secretariado da CIRGL, resultante de atrasos nas contribuições dos Estados-membros, e apelou ao cumprimento das obrigações financeiras como condição para garantir a sustentabilidade da organização.
No domínio social, destacou iniciativas voltadas ao desenvolvimento económico e ao papel da juventude e das mulheres na consolidação da paz, entre as quais o Fórum de Alto Nível das Mulheres da Região dos Grandes Lagos realizado em Luanda, em 2024.
Ao encerrar o discurso, o Presidente angolano expressou confiança na liderança congolesa à frente da CIRGL, reconhecendo o desafio adicional de presidir a uma organização que acompanha de perto um conflito activo no próprio território da RDC. João Lourenço reiterou a convicção de que a paz na região é possível e depende de escolhas políticas que coloquem os interesses dos povos acima de agendas externas ou divergências nacionais.






