A Primeira Sessão da Cimeira do G20, realizada este sábado, 22 de Novembro de 2025, na África do Sul, terminou com um discurso marcante do Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana (UA), João Manuel Gonçalves Lourenço, que defendeu uma transformação profunda da arquitectura financeira internacional e a adopção de medidas concretas para impulsionar o desenvolvimento inclusivo em África.
A sessão, subordinada ao tema “Crescimento económico inclusivo e sustentável que não deixa ninguém para trás”, integrou debates sobre comércio, financiamento ao desenvolvimento e o impacto crescente do peso da dívida nos países do Sul Global.
Durante a sua intervenção, João Lourenço destacou a importância histórica desta cimeira, a primeira realizada em solo africano, e elogiou a liderança do Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que assume a presidência rotativa do grupo sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”.
O Presidente angolano afirmou que a integração da União Africana no G20 representou “uma posição de destaque no âmbito do multilateralismo” para o continente, sublinhando que o actual cenário económico global exige o reforço do diálogo para garantir crescimento inclusivo e sustentável.
Lourenço salientou que África implementa actualmente uma estratégia macroeconómica pró-activa focada na mobilização de recursos internos, considerada essencial para reduzir dependências externas num contexto de queda acentuada da Ajuda Pública ao Desenvolvimento.
O líder da UA reafirmou o compromisso continental com a aceleração da transformação económica e destacou o impacto estratégico da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que está a criar um mercado integrado de 3,4 biliões de dólares e a contribuir para cadeias de abastecimento globais mais resilientes.
Lourenço instou o G20 a reconhecer a ZCLCA não apenas como um projecto africano, mas como uma contribuição decisiva para a estabilidade do comércio mundial.
Um dos pontos mais fortes do discurso centrou-se no “défice de financiamento acessível”, que, segundo o Presidente, continua a ser o maior obstáculo ao desenvolvimento sustentável do continente.
Embora tenha reconhecido avanços no “Roteiro dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento”, defendeu maior celeridade na disponibilização de capital e sublinhou a importância de financiar projectos africanos em moeda local, para reduzir riscos associados à volatilidade cambial.
Sobre a dívida externa, Lourenço alertou que os elevados custos do serviço da dívida estão a comprometer investimentos fundamentais em saúde, educação e adaptação climática. Reiterou o apelo à implementação urgente e transparente do Quadro Comum do G20 e lembrou que a União Africana aprovou recentemente a Posição Comum Africana sobre a Dívida, baseada na Declaração de Lomé.
O Presidente angolano instou ainda o G20 a apoiar a modernização das práticas das agências de notação de crédito, defendendo avaliações mais justas e alinhadas com as realidades e prioridades de desenvolvimento dos países africanos.
A UA, disse Lourenço, endossa também as recomendações dos relatórios do Painel de Peritos Africanos e da Comissão de Peritos Independentes sobre Desigualdade de Riqueza Global, pedindo que os compromissos assumidos pelo G20 se traduzam em acções concretas, coordenadas e eficazes.






