João Lourenço defende soberania sanitária africana e produção local de vacinas na ONU

O Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana (UA), João Lourenço, defendeu hoje, em Nova Iorque, o reforço da soberania sanitária do continente africano e a aceleração da produção local de vacinas e medicamentos. O pronunciamento foi feito durante a Reunião do Comité do África CDC de Chefes de Estado e de Governo (CCEG), realizada à margem da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

No seu discurso, João Lourenço reafirmou o compromisso político dos 55 Estados-Membros da UA com a construção de sistemas de saúde resilientes e com financiamento soberano, alinhados com a Agenda de Lusaka e a Agenda 2063 da União Africana. “As pandemias demonstraram que nenhuma nação pode enfrentar sozinha crises sanitárias desta dimensão”, afirmou o estadista, destacando o papel central do África CDC como agência técnica especializada desde 2025.

O Presidente angolano defendeu a mobilização de recursos internos, rompendo com a dependência da ajuda externa, através de mecanismos inovadores como o Fundo Africano para Epidemias, ao qual Angola já contribuiu com 5 milhões de dólares. “Este fundo não é apenas um instrumento financeiro, mas uma afirmação política da determinação africana em assumir a responsabilidade pelas suas próprias emergências”, sublinhou.

Lourenço salientou ainda a importância da industrialização do setor farmacêutico no continente, com a meta de que, até 2040, África produza pelo menos 60% dos produtos de saúde que consome. Em Angola, anunciou a construção do Laboratório Nacional de Controlo de Qualidade de Medicamentos e a expansão de uma rede de laboratórios de biossegurança e centros de operações de emergência de saúde pública.

O líder africano alertou também para os impactos das alterações climáticas e dos conflitos regionais na propagação de epidemias, defendendo sistemas de saúde adaptados às novas realidades ambientais e sociais. “A saúde é também diplomacia, une os países e constrói pontes para enfrentarmos juntos os desafios globais”, afirmou.

Ao encerrar, João Lourenço apelou ao reforço político e financeiro do África CDC, classificando a instituição como a expressão máxima do compromisso coletivo com a soberania sanitária africana.

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