João Lourenço considera Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos um marco no processo de cura e reconciliação nacional

O Presidente da República, João Lourenço, considera que a construção do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos representa uma etapa importante no processo de cura, perdão e pacificação da sociedade angolana, constituindo também um passo significativo na reconciliação nacional.

A posição foi expressa na mensagem deixada pelo Chefe de Estado no livro de honra do monumento, inaugurado a 14 de Outubro, em Luanda, e dedicado à memória dos angolanos que perderam a vida durante os conflitos políticos ocorridos no país entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

Na mensagem, João Lourenço sublinhou que o Memorial simboliza a união, o acolhimento, a compreensão do passado e a aproximação entre partes anteriormente desavindas. O edifício, concebido em formato de abraço, representa, segundo o Presidente, o compromisso de ultrapassar as mágoas e construir um futuro assente na reconciliação.

«A construção do presente Monumento às vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola no período entre 11 de Novembro de 1975 a 4 de Abril de 2002 é o culminar de todo um processo de cura, de perdão, de serenar de almas, de pacificação das pessoas e da sociedade, de união e de encontro com a nossa história», escreveu o Chefe de Estado.

Preservar a história para evitar novos conflitos

João Lourenço defendeu igualmente que a memória dos acontecimentos que marcaram Angola deve ser transmitida às gerações futuras, para que os sacrifícios das vítimas não sejam esquecidos e os erros do passado não voltem a repetir-se.

Na sua mensagem, o Presidente considerou que a história nacional, com os seus momentos positivos e negativos, contribuiu para a formação da Nação, defendendo que a reconciliação, a compreensão e o perdão são pilares fundamentais para a construção de um país unido e solidário.

O Chefe de Estado sublinhou ainda que o monumento constitui um compromisso com a preservação da memória dos compatriotas que morreram em circunstâncias complexas, permitindo que as novas gerações conheçam as diferentes dimensões da história nacional.

«Hoje transformamos a dor em cura e o passado em história», afirmou João Lourenço, ao destacar a importância de honrar a memória das vítimas e de assegurar que a história de Angola continue a ser conhecida e partilhada.

Monumento ocupa seis hectares em Luanda

Inaugurado na quarta-feira, 14 de Outubro, o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos está localizado num terreno adjacente ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, e ocupa uma área de seis hectares.

A infra-estrutura integra três elementos principais: a Aliança Eterna, o Hall de Memória e a Mulembeira da Reconciliação.

Na cerimónia de inauguração, João Lourenço protagonizou os actos simbólicos de corte da fita e descerramento da placa, acompanhado pela Primeira-Dama da República e por altas figuras do Estado.

O projecto, cujas obras decorreram entre 2024 e 2026, insere-se no percurso de reconciliação nacional defendido pelo Presidente da República, que também recordou, na mensagem oficial, o seu pedido público de desculpas e perdão.

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