Poço de avaliação regista o primeiro teste de fluxo completo num reservatório de gás não associado em Angola e abre caminho a um projecto que poderá gerar mais de 300 empregos directos
O poço de avaliação Katambi-2, localizado no Bloco 24, na Bacia de Benguela, registou uma produção estabilizada de 41 milhões de pés cúbicos de gás por dia e de 1.160 barris de condensado por dia, com potencial para atingir 117 milhões de pés cúbicos diários, anunciaram esta quinta-feira, em Luanda, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a Sonangol Exploração & Produção.
Em comunicado conjunto, a concessionária nacional e a operadora do bloco dão conta da conclusão, “em segurança e com sucesso”, das operações de perfuração e teste do poço, cujos resultados preliminares confirmam a existência de reservatórios de elevada qualidade.
Primeiro teste de fluxo em gás não associado
O projecto assinala a realização do primeiro teste de fluxo completo num reservatório de gás não associado em Angola — isto é, gás que ocorre de forma independente das jazidas de petróleo e que, por isso, pode ser desenvolvido sem depender da produção de crude.
Segundo as duas entidades, os resultados obtidos reforçam a viabilidade económica do desenvolvimento da descoberta e evidenciam o seu potencial contributo para a optimização da produção nacional de gás.
No âmbito do desenvolvimento do Projecto Katambi, a Sonangol Exploração & Produção prevê perfurar mais um poço de avaliação antes da conclusão do respectivo plano de desenvolvimento.
A implementação do projecto no Bloco 24 poderá gerar mais de 300 empregos directos e milhares de empregos indirectos na região sul do país, refere ainda o comunicado, assinado pela Direcção de Comunicação, Marca e Responsabilidade Social da Sonangol E.P.
Uma descoberta que a BP considerou inviável
O Katambi-2 foi perfurado a 1,3 quilómetros do poço Katambi-1, aberto pela BP em 2014/2015 e posteriormente abandonado, tendo a petrolífera britânica devolvido ao Estado angolano a sua participação por considerar a descoberta comercialmente inviável.
Os novos dados apontam agora noutra direcção. De acordo com a ANPG, o Katambi-2 atravessou dois intervalos produtivos, com aproximadamente 331 metros de espessura total, e confirmou reservatórios com porosidade média entre 9% e 12% e permeabilidade superior à registada no poço perfurado há mais de uma década. Os testes decorreram sem presença de água nem de sulfureto de hidrogénio (H₂S), factores que penalizam os custos de tratamento e o valor comercial do gás.
Uma avaliação preliminar dos resultados indica que o poço tem potencial para produzir mais de 100 milhões de pés cúbicos padrão por dia, o equivalente a mais de 16 mil barris de petróleo por dia.
Gás no centro da estratégia nacional
A avaliação do Bloco 24 insere-se na aposta de Angola no gás natural como via para travar o declínio da produção petrolífera, que se tem mantido em torno de um milhão de barris diários, e para alimentar a indústria e a produção de energia no interior do país.
A Sonangol vinha anunciando, desde 2025, a intenção de reforçar a perfuração no Bloco 24, apresentado pela empresa como um activo ainda pouco explorado e de elevado potencial.




