Fundação Mo Ibrahim destaca progressos de Angola no combate à corrupção, mas alerta para necessidade de consolidar reformas

Angola integra o grupo dos países africanos que mais melhoraram os seus indicadores de combate à corrupção na última década, segundo as conclusões preliminares do Índice Ibrahim de Governação em África (IIAG) 2026, divulgadas pela Fundação Mo Ibrahim. O relatório reconhece os avanços registados pelo País entre 2016 e 2025, mas alerta que a recuperação observada em África continua frágil e exige a consolidação das reformas para produzir resultados duradouros.

A análise, publicada no passado dia 8 de Julho, conclui que a pontuação média do continente africano no indicador de combate à corrupção aumentou de 38,6 para 39,1 pontos entre 2022 e 2025, invertendo a tendência de deterioração registada entre 2016 e 2020. Apesar desta evolução positiva, a Fundação considera que os progressos permanecem insuficientes para restaurar plenamente a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

Entre os países que mais evoluíram na última década figura Angola, ao lado das Seicheles, Chade, Somália e Togo, destacando-se como um dos Estados que registaram os maiores ganhos nos indicadores relacionados com a prevenção e o combate à corrupção.

Segundo a Fundação Mo Ibrahim, estes resultados demonstram que vários países africanos conseguiram implementar reformas institucionais relevantes. No entanto, o relatório sublinha que a melhoria dos indicadores não significa que o problema esteja resolvido, defendendo que os avanços devem ser acompanhados por instituições mais independentes, maior transparência na administração pública e mecanismos eficazes de responsabilização.

Ruanda e Seicheles lideram ranking africano

O relatório revela igualmente quais são os países africanos com melhor desempenho no combate à corrupção. Ruanda e Seicheles ocupam conjuntamente o primeiro lugar, seguidos pelas Maurícias, Senegal e Benim, considerados os cinco países com sistemas mais eficazes de prevenção da corrupção, transparência institucional e integridade na administração pública.

Logo atrás surgem Botswana, Namíbia, Cabo Verde, Tunísia e Burkina Faso, completando o grupo dos dez países mais bem classificados no continente.

No extremo oposto encontram-se os países onde persistem maiores fragilidades institucionais. O relatório coloca Sudão do Sul, Líbia, Eritreia, Guiné Equatorial e Sudão nas últimas posições do ranking, associando o fraco desempenho à instabilidade política, aos conflitos armados e à reduzida capacidade das instituições públicas para prevenir e combater a corrupção.

Governo destaca reformas iniciadas em 2017

Em Angola, o Executivo continua a apresentar o combate à corrupção como uma das principais prioridades da governação. Desde 2017, o Governo refere a recuperação de activos públicos, a responsabilização criminal de antigos gestores do Estado, o fortalecimento da Procuradoria-Geral da República e a implementação da Estratégia Nacional de Prevenção e Repressão da Corrupção como exemplos do compromisso assumido com a boa governação.

As autoridades sustentam igualmente que a evolução positiva de Angola em diversos indicadores internacionais confirma os efeitos das reformas adoptadas nos últimos anos.

FMI reconhece avanços, mas pede nova aceleração

As conclusões da Fundação Mo Ibrahim aproximam-se, em parte, da avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). No mais recente relatório sobre Angola, a instituição reconhece progressos na melhoria da governação e da transparência, mas considera que o ritmo das reformas abrandou após 2022.

O FMI recomenda o reforço da independência das instituições de fiscalização, maior transparência na contratação pública, a criação de um registo público dos beneficiários efectivos das empresas, o fortalecimento da protecção dos denunciantes e uma aplicação mais consistente das políticas de prevenção da corrupção.

Desafio passa pela consolidação institucional

Para a Fundação Mo Ibrahim, o principal desafio para Angola e para muitos países africanos deixou de ser apenas a aprovação de novas leis ou a abertura de processos judiciais. A prioridade passa agora pela consolidação das instituições, pelo aumento da transparência na gestão dos recursos públicos e pelo reforço da confiança dos cidadãos no funcionamento do Estado.

A versão definitiva do Índice Ibrahim de Governação em África 2026 será publicada a 31 de Outubro, trazendo a classificação completa dos 54 países africanos em áreas como Estado de direito, segurança, participação, desenvolvimento humano, oportunidades económicas e governação.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *