Sonangol apresenta resultados robustos e aponta reestruturação como factor de crescimento

A Sonangol considera concluído o seu processo de reestruturação e sustenta que os resultados alcançados em 2025 comprovam a viabilidade da estratégia empresarial implementada nos últimos anos. De acordo com o Relatório e Contas referente ao exercício económico de 2025, a petrolífera estatal registou um lucro líquido de 946 milhões de dólares e um EBITDA de aproximadamente 2,6 mil milhões de dólares, números alcançados num contexto internacional marcado pela queda de cerca de 14 por cento no preço médio do petróleo bruto.

As informações foram confirmadas por Dionísio Rocha Júnior, director de Comunicação, Marca e Responsabilidade Social da Sonangol, que rejeita interpretações que apontam para um alegado declínio da empresa.

“Não é um colapso, ao contrário do que sugerem análises desactualizadas ou parcialmente informadas. O Grupo tem demonstrado resiliência, transparência crescente e capacidade de gerar valor mesmo em contextos adversos”, afirmou.

Segundo o responsável, a transformação em curso acompanha uma tendência observada nas principais empresas energéticas internacionais, que procuram reduzir a dependência exclusiva da exploração petrolífera através da diversificação das fontes de receita.

A Sonangol destaca que parte significativa dos resultados financeiros passou a ser sustentada por dividendos, participações estratégicas, investimentos internacionais, serviços de gestão e activos financeiros. Para a administração, esta abordagem permite reduzir a exposição às oscilações do mercado petrolífero e garantir maior estabilidade financeira a longo prazo.

Conselho Fiscal destaca resiliência

O Conselho Fiscal da empresa reconheceu, no parecer sobre as contas de 2025, a capacidade de adaptação da Sonangol perante um cenário menos favorável para o sector petrolífero.

O órgão refere que o resultado líquido cresceu 17,2 por cento em comparação com o exercício anterior, apesar da redução do volume de negócios e da pressão exercida sobre as receitas provenientes do petróleo. O documento destaca igualmente a manutenção de resultados operacionais positivos, impulsionados pelo segmento corporativo, dividendos, ganhos financeiros e participações empresariais.

Outro aspecto sublinhado pela empresa é a melhoria dos processos de governação e relato financeiro. Segundo a administração, os fechos de contas dos últimos exercícios foram realizados com maior rapidez e acompanhados por uma redução significativa das matérias susceptíveis de reservas por parte dos auditores.

A Sonangol informa que eliminou integralmente as reservas nas unidades consideradas estratégicas e reduziu em cerca de 90 por cento as questões susceptíveis de reservas nas unidades não estratégicas.

Produção, exportação e refinação em crescimento

No plano operacional, a petrolífera registou indicadores considerados positivos em vários segmentos da cadeia de valor.

Durante 2025, a empresa assegurou 65,2 milhões de barris de direitos líquidos de produção nacional e exportou 124,7 milhões de barris de petróleo bruto.

Na área da refinação, a Refinaria de Luanda alcançou um recorde histórico ao processar 17,2 milhões de barris ao longo do ano. Paralelamente, entrou em funcionamento a primeira fase da Refinaria de Cabinda, com capacidade inicial de 30 mil barris por dia, contribuindo para o reforço da capacidade nacional de produção de combustíveis.

O sector logístico também registou avanços significativos. A capacidade de armazenamento em terra aumentou 91 por cento face a 2024, atingindo 1.218.411 metros cúbicos, impulsionada pela entrada em operação do Terminal Oceânico da Barra do Dande.

Aposta na transição energética

A estratégia de diversificação da Sonangol inclui igualmente investimentos em energias renováveis e mobilidade sustentável.

A Planta Fotovoltaica de Caraculo, localizada na província do Namibe, injectou 39.363 megawatts-hora na rede eléctrica nacional em 2025, evitando a emissão de mais de 31 mil toneladas de dióxido de carbono.

A empresa expandiu ainda a sua presença no segmento da mobilidade eléctrica através da instalação da primeira estação de carregamento para veículos eléctricos no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda.

Papel estratégico na economia nacional

Ao assinalar os seus 50 anos de existência, celebrados em Fevereiro deste ano, a Sonangol defende que os resultados alcançados reforçam o seu papel como um dos principais pilares da economia angolana.

Para Dionísio Rocha Júnior, a capacidade de gerar valor através de investimentos, parcerias e gestão estratégica representa uma evolução natural do modelo de negócio da companhia e não um sinal de fragilidade.

“Num sector global volátil, gerar valor através de investimentos, parcerias e gestão estratégica não é fraqueza, é inteligência corporativa. A Sonangol continua a provar, com números auditados, que permanece um dos maiores pilares económicos do país e uma empresa cada vez mais preparada para o futuro”, concluiu.

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