Quem está por detrás dos escândalos que rodeiam João Lourenço?

Dois escândalos de alegada natureza sexual envolvendo figuras próximas do Presidente da República, João Lourenço, agitaram o espaço mediático angolano nas últimas semanas. De acordo com o Jornal de Negócios, os casos levantam suspeitas sobre uma possível estratégia concertada para desgastar o chefe de Estado a poucos meses do congresso electivo do MPLA, marcado para Dezembro.

O primeiro caso envolve o general Francisco Furtado, exonerado no final de Abril do cargo de ministro de Estado e chefe da Casa Civil — posto que ocupava desde 2021 — com a justificação de “conveniência de serviço”. Considerado um dos homens de maior confiança de João Lourenço, Furtado viu o seu nome circular nas redes sociais associado à alegada tentativa de assassinato da sua namorada, uma mulher transexual conhecida como “Pauleth”.

O general não prestou quaisquer esclarecimentos públicos sobre o assunto.

O segundo caso diz respeito a João de Almeida Martins, secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais do MPLA, conhecido como Jú Martins. O dirigente surge como protagonista em vídeos de conteúdo pornográfico, supostamente filmados no seu gabinete na sede do partido. A autenticidade das imagens é fortemente contestada, existindo indícios de que terão sido produzidas através de inteligência artificial. Jú Martins não reagiu publicamente.

O momento é politicamente sensível: o dirigente é o mandatário da candidatura de João Lourenço à liderança do MPLA. David Mendes, jurista da Associação Mãos Livres, organização de defesa dos direitos humanos, manifestou solidariedade para com Jú Martins e deixou um aviso nas redes sociais: “Não é em vão que tudo esteja a acontecer num momento como este.”

Segundo o Jornal de Negócios, o denominador comum entre os dois casos é João Lourenço — e o efeito, independentemente da veracidade dos factos, é o mesmo: fragilizar a imagem do Presidente da República.

Mujimbos e ajustes de contas

O jornal destaca que, em Angola, o mujimbo — boato em língua quimbundo — se tornou uma arma recorrente nos bastidores do poder, num contexto em que a classe política raramente presta contas publicamente. Com o congresso electivo do MPLA a aproximar-se, a publicação admite que novos escândalos poderão surgir, protagonizados por adversários que preferem actuar na sombra.

Em paralelo, João Lourenço determinou que ministros e dirigentes da polícia, das Forças Armadas e dos serviços de informações e segurança do Estado ficam impedidos de se deslocar ao estrangeiro sem programação prévia e aprovação presidencial. A medida foi justificada oficialmente com a necessidade de regular as saídas ao exterior de titulares de cargos públicos.

Fonte: Negócios

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