Eugénio Neto ouvido no julgamento do processo BESA em Lisboa

O empresário angolano Eugénio Neto foi ouvido, esta quarta-feira, em tribunal, no âmbito do julgamento do processo do Banco Espírito Santo Angola (BESA), que decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa, noticiou a Agência Lusa.

Segundo a testemunha, as sociedades por si detidas terão beneficiado de financiamentos no valor aproximado de 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros), destinados à aquisição de terrenos em Angola, os quais foram simultaneamente entregues como garantias bancárias.

“O financiamento era para comprar o activo. E talvez vedar o activo e fazer alguma coisa relacionada com isso. O investimento no desenvolvimento do terreno teria de ser feito por mim”, afirmou Eugénio Neto, acrescentando que o objectivo era atrair investidores terceiros, o que, contudo, não chegou a concretizar-se.

De acordo com o empresário, a entrada de potenciais investidores foi travada por atrasos significativos nos processos de legalização dos activos junto dos ministérios competentes, situação que acabou por impedir a concretização dos projectos previstos.

Ultrapassado o período inicial previsto para os investimentos, o banco passou a exigir o pagamento de juros sobre os financiamentos concedidos, tendo a dívida acumulada sido resolvida apenas em 2017 ou 2018, através de um acordo de dação em pagamento com o Banco Económico, sucessor do BESA, mediante a entrega de activos.

Segundo a acusação do Ministério Público português, a maioria dos 1,3 mil milhões de euros emprestados às sociedades ligadas a Eugénio Neto não teve finalidades produtivas.

Entre os arguidos no processo encontram-se o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, e o ex-presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, acusados, juntamente com outros réus, de crimes de abuso de confiança, branqueamento de capitais e burla, factos que todos negam.

O julgamento decorre desde 5 de Maio de 2025 e incide, essencialmente, sobre o alegado desvio de fundos entre 2007 e 2012, resultantes de financiamentos do BES ao BESA através de linhas de crédito do Mercado Monetário Internacional e de operações em descoberto bancário.

Recorde-se que o BES faliu no verão de 2014, tendo o BESA sido liquidado em Outubro do mesmo ano.

Fonte: Holdonangola

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