Presidente João Lourenço apela ao reforço do multilateralismo e da paz internacional

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, defendeu nesta quinta-feira o reforço do multilateralismo, do diálogo político e da cooperação internacional como caminhos essenciais para a restauração da ordem mundial e da paz, num contexto internacional que classificou como “imprevisível, conturbado e perigoso”.

O Chefe de Estado discursava na Cerimónia de Cumprimentos de Ano Novo do Corpo Diplomático acreditado em Angola, realizada no Palácio Presidencial, em Luanda, ocasião em que recebeu embaixadores, chefes de missão diplomática e representantes de organizações internacionais.

Na sua intervenção, João Lourenço destacou o significado do ano transacto para Angola, marcado pela celebração do 50.º aniversário da Independência Nacional, sublinhando que o país se afirma hoje como um Estado estável, comprometido com a paz, a reconciliação nacional, a democracia, a boa governação e o desenvolvimento sustentável.

O Presidente salientou ainda o papel assumido por Angola enquanto Presidente em exercício da União Africana, função desempenhada num contexto de elevada complexidade, caracterizado por conflitos armados, instabilidade política, crises humanitárias, desafios climáticos e recuos democráticos em várias regiões do continente e do mundo.

Segundo João Lourenço, durante este período Angola colocou no centro da sua acção diplomática o financiamento para o desenvolvimento de infra-estruturas críticas em África, com destaque para a interconexão regional, os corredores económicos, as redes ferroviárias e a transformação digital, alinhadas com a Agenda 2063 da União Africana e com a Zona de Comércio Livre Continental Africana.

No plano da paz e segurança, o Presidente realçou o envolvimento de Angola nos esforços de mediação de conflitos no continente, com particular destaque para o processo de pacificação da República Democrática do Congo, que culminou com a assinatura de um acordo de paz entre a RDC e o Ruanda, em dezembro de 2025.

O Chefe de Estado manifestou também preocupação com a recorrência de golpes de Estado em África, defendendo o reforço de mecanismos de condenação dessas práticas e apelando à libertação incondicional de líderes políticos depostos por vias inconstitucionais.

No plano internacional, João Lourenço criticou o enfraquecimento do papel das Nações Unidas e alertou para os riscos da substituição do direito internacional pela “lei da força”, reiterando que o multilateralismo continua a ser a única via para garantir a estabilidade global e evitar a redefinição forçada de fronteiras em diferentes regiões do mundo.

No final do discurso, o Presidente da República reafirmou a total disponibilidade de Angola para aprofundar a cooperação com os países representados e desejou um ano novo de paz, prosperidade e bem-estar aos membros do Corpo Diplomático acreditado no país.

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