João Lourenço defende em Luanda maior integração africana e financiamento sustentável para infra-estruturas

O Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu esta segunda-feira, em Luanda, a necessidade de mobilizar novos mecanismos de financiamento e reforçar a integração regional para acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas no continente africano.

O Chefe de Estado discursava na cerimónia de abertura da 3.ª Cimeira sobre Financiamento de Infra-estruturas em África, que decorre de 28 a 31 de outubro na capital angolana, sob o tema “Capital, Corredores, Comércio: Investir em Infra-estruturas para a ZCLCA e a Prosperidade Partilhada”.

João Lourenço destacou que África enfrenta um défice de financiamento estimado entre 130 e 170 mil milhões de dólares, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, o que “limita o crescimento económico, encarece a produção e perpetua as desigualdades regionais”.

“Reunimo-nos em Luanda não apenas para discutir números, mas para reafirmar a nossa visão comum de uma África conectada, moderna e resiliente”, afirmou o Presidente, defendendo uma estratégia conjunta que permita construir estradas que liguem mercados, redes eléctricas que alimentem indústrias e tecnologias digitais que aproximem os cidadãos das oportunidades do século XXI.

O estadista apelou à redução da percepção de risco sobre as economias africanas por parte das agências internacionais de rating, salientando que muitas vezes estas não reflectem o verdadeiro potencial dos países do continente.

Durante a cimeira, será aprovada a chamada “Declaração de Luanda”, documento que vai estabelecer compromissos concretos para potenciar os mecanismos africanos de financiamento e harmonizar políticas de mobilização de recursos internos e externos.

João Lourenço sublinhou também o papel das infra-estruturas como motores de emprego, comércio e integração continental, destacando os sectores ferroviário, portuário, energético e digital como prioritários.

Ao abordar os avanços de Angola, o Presidente lembrou que o país investiu fortemente na modernização das infra-estruturas nacionais ao longo dos últimos 50 anos de independência, apontando o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, o porto do Caio em Cabinda e a barragem de Caculo Cabaça, que produzirá 2.172 megawatts, como exemplos emblemáticos.

O Chefe de Estado revelou ainda planos para explorar novos projectos hidroeléctricos que poderão acrescentar mais de 8 mil megawatts à capacidade energética nacional nas próximas duas décadas, bem como iniciativas de expansão da rede de fibra óptica e lançamento de um novo satélite de observação da Terra.

Referindo-se à integração regional, João Lourenço destacou o Corredor do Lobito como “um eixo estratégico para a SADC e para a economia mundial”, por reduzir o tempo e os custos de transporte entre a Ásia, África, Europa e América.

“O futuro de África depende da sua capacidade de se unir em torno de objectivos comuns”, concluiu o Presidente, declarando aberta a Cimeira de Luanda sobre Financiamento de Infra-estruturas em África.

O evento, promovido pelo Governo de Angola e pela União Africana, conta com a presença de chefes de Estado, representantes de instituições financeiras multilaterais e líderes empresariais, e visa criar uma agenda concreta de parcerias e investimentos para transformar o mapa das infra-estruturas africanas.

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