João Lourenço apela a reformas na ONU e condena genocídio na Palestina

O Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu esta terça-feira, na 80ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, uma reforma urgente do Conselho de Segurança da ONU e denunciou a passividade da comunidade internacional perante conflitos armados e violações do direito internacional.

No seu discurso, subordinado ao tema “Melhor Juntos: 80 Anos e Mais, para a Paz, o Desenvolvimento e os Direitos Humanos”, João Lourenço alertou que “as principais potências mundiais tendem a caminhar de costas voltadas umas para as outras”, colocando em risco a paz global. Sublinhou que o mundo enfrenta a escolha entre “fazer tudo para preservar a paz ou enfrentar a guerra com todas as suas consequências”.

Conflitos internacionais

O Chefe de Estado angolano criticou a ocupação de territórios alheios e a organização de subversões contra governos legítimos, práticas que considerou comprometer a autoridade moral das Nações Unidas. Destacou o empenho de Angola em processos de mediação na região dos Grandes Lagos e no Sudão, ainda sem resultados definitivos.

Referindo-se ao Médio Oriente, João Lourenço condenou a violência em Gaza, afirmando que “não se pode permitir que Israel desenvolva uma política de extermínio de um povo”. Ressaltou que “o povo palestino não pode ser confundido com o Hamas” e defendeu a criação de um Estado soberano palestino. Criticou ainda a ausência da delegação palestina na Assembleia Geral, classificando o ato como “um sinal muito negativo” que encoraja a continuação do conflito.

O Presidente reiterou também o apelo ao levantamento do embargo contra Cuba e condenou as sanções unilaterais impostas ao Zimbabué e à Venezuela, que, segundo afirmou, apenas “agravam o sofrimento das populações”.

Reforma da ONU

Lourenço insistiu na necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança, em linha com a posição comum africana definida no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte, que defendem dois assentos permanentes e cinco não permanentes para África. “Sem este passo imprescindível não poderemos assegurar a concretização do Pacto para o Futuro”, afirmou.

Defendeu ainda a revitalização do multilateralismo e destacou a importância de mecanismos como o Compromisso de Sevilha sobre financiamento ao desenvolvimento e a urgência de tornar as instituições financeiras internacionais mais representativas e inclusivas.

Alterações climáticas

O Presidente angolano alertou para a crise climática, que considerou “a maior ameaça existencial do nosso tempo”, apelando a que os países mais industrializados assumam a sua “responsabilidade histórica” através de financiamento adequado e transferência de tecnologia. Reafirmou o compromisso de Angola com o Acordo de Paris e destacou o papel que a próxima COP30, no Brasil, poderá ter na definição de medidas concretas de mitigação e adaptação.

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