O Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu este sábado, durante a XVII Cimeira dos BRICS, no Brasil, um novo paradigma de governança global mais inclusivo, sustentável e centrado nas aspirações dos povos do Sul Global.
Sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, João Lourenço apelou a uma maior representatividade dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais e destacou o potencial de cooperação multilateral entre África e os BRICS como ferramenta estratégica para impulsionar o desenvolvimento económico e social.
“Vim a esta Cimeira convencido de que estamos no palco apropriado para abordarmos o potencial do Sul Global, na perspectiva de desenvolvermos parcerias sólidas”, afirmou o estadista angolano.
Lourenço chamou atenção para as desigualdades persistentes e os desafios estruturais enfrentados pelos países africanos, defendendo o acesso a financiamentos mais justos para sectores vitais como agricultura, saúde, educação, energia, transportes e telecomunicações. Nesse sentido, anunciou a realização em Outubro, em Angola, de uma grande conferência continental sobre infra-estruturas como motor do desenvolvimento africano.
O Presidente angolano reiterou ainda que as instituições internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial necessitam de reformas profundas, face às transformações geopolíticas das últimas décadas, sublinhando que os BRICS podem desempenhar um papel decisivo na construção de um novo equilíbrio mundial.
“Os BRICS devem intervir no sentido de se reequilibrar a ordem económica global, com um comércio mais justo, investimentos e financiamento menos onerosos para os mais necessitados”, defendeu.
Lourenço também abordou os conflitos internacionais, apelando à resolução pacífica das guerras, em especial os conflitos na Ucrânia, na região dos Grandes Lagos, no Sudão, no Sahel e na Faixa de Gaza. Condenou o genocídio do povo palestiniano e defendeu a criação do Estado da Palestina, conforme as resoluções da ONU.
“Os BRICS devem posicionar-se como defensores do diálogo e do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas”, reforçou.
Ao encerrar o seu discurso, João Lourenço saudou a presidência brasileira da organização, sublinhando os laços históricos entre África e o Brasil, e elogiou as iniciativas propostas pelo governo brasileiro para a nova etapa da liderança rotativa dos BRICS.
A presença de Angola nesta cimeira assinala o fortalecimento da voz africana nas dinâmicas internacionais e reafirma o papel do país na promoção de uma agenda global mais equitativa e representativa.






